agosto 15, 2010

Carta para Deus

Olá Pai... Estou escrevendo essa carta como forma de expressar como está meu humor nos últimos tempos, e também para agradecer todas as coisas boas que o Senhor coloca nesse caminho tortuoso e árduo, fazendo com que ele se torne um pouco mais leve... Como o Senhor sabe, eu não ando lá muito bem, me sinto triste muitas vezes, angustiada e de coração partido. Sabe Pai, essa dor é muito cruel, porque ela me engana. De repente ela se afasta e parece que não vai voltar mais, e dali um tempo, ela volta. Acho que nunca tinha considerado a hipótese de não dar tanta importância ao fato de sentir vontade de chorar em público, de me sentir triste quando preciso, de derramar as lágrimas como forma de ir curando esse ferimento. Às vezes Pai, parece que não vou aguentar. Mas aí o Senhor me mostra o sol brilhando tão forte, as flores desabrochando de maneira tão bela, as crianças me lançando um olhar de compreensão e alento, a Lua como se estivesse sorrindo pra mim. Então eu choro e me acalmo. Esse caminho está sendo tão difícil, e o Senhor sabe, que às vezes me pergunto o porquê de ter que percorrê-lo. O Senhor conhece bem minhas manias. Pai, às vezes me sinto como se tivesse cinco anos, às vezes como se tivesse quinze, às vezes como se tivesse uns sessenta. E apesar de pensar e questionar todas essas coisas, no fundo eu sei, tenho fé nisso, de que foi melhor assim, de é que preciso ser assim, pra eu me tornar mais forte, mais sábia, mais cuidadosa. No fundo eu sei que isso vai passar um dia, e enquanto não passa eu oro para que a dor amenize, que ela pare de me incomodar tanto. Eu sei que ela vai passar, acredito nisso. E acredito no seu amor, no seu cuidado e que todas essas coisas que acontecem têm um motivo maior, que será benéfico para todos. Antes sofrer agora do que tornar tudo isso uma bola de neve. Sabe, eu começo a pensar que muita coisa não era do jeito que eu fantasiava, agora é como se a névoa que encobria meus olhos tivesse se dissipado e eu pudesse perceber tudo com mais clareza. Isso também ajuda e muito. E eu termino agradecendo todas as bençãos maravilhosas que o Senhor me deu e dá: minha família, meus amigos verdadeiros e tudo quanto eu possa perceber a beleza, sejam flores, sejam gestos de bondade e carinho. Todas essas pequenas partes de amor vão me curar. Sei que essa doença não irá durar eternamente e sei que o Senhor olha por mim. E tudo vai ficar bem, ficarei de cabeça erguida e me sentirei feliz de novo, daqui algum tempo. Feliz e em paz comigo mesma. Sua filha, Ana.

Um comentário:

Carol Santana disse...

eu gostei muito, muito mesmo.
mas o que eu mais gostei foi a depedida,
'sua filha, ana.'
tão bom, tão.. lindo *-*

sempre que precisar ana, SEEEMPRE mesmo, eu sei que, e tenho MUITAS experiencias, de não poder contar certas coisas as minhas 'amigas' ás vezes parece que todas elas são falsas, e que eu não posso confiar em ninguém, atualmente me encontro numa situação de que acho que a minha mais fiel cumplice, gosta do meu namorado, são coisas como essa, que acontecem conosco, e quando isso te ocorrer, lembre-se daquela garotinha que vc correu para auxiliar, quando ela era apenas uma nova escritora na Floreios e Borrões,
a eternamente grata, e definitivamente, sua mais distante amiga,

Carol #D

Fernando Pessoa

"Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."